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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Seria o obeso uma vítima?

Engordamos quando comemos mais do que gastamos. Isso é um fato, incontestável. Mesmo assim, a maioria das pessoas não reconhece como sua a responsabilidade pelo ganho de peso. Há sempre uma justificativa, fora do seu controle, para o curso progressivo da obesidade. O pior é que há uma crença, generalizada, de que esse estado de coisas vem impondo a algumas pessoas a triste sina de uma doença. Trazendo consigo estigma e limitações.
Quando observamos a literatura médica, lá estão, novamente, as explicações para o avanço da obesidade, sempre com um foco em industrialização dos alimentos, globalização, stress, carga horária extenuante e estilo de vida. Justificativas que apresentam o obeso como vítima e retiram dele suas chances de mudar sua história. 
Apesar de bem conhecida a natureza multifatorial da obesidade, ainda se fala em poder aditivo dos alimentos industrializados e de uma força demoníaca que nos faz comer sem parar. Até quando continuaremos culpando forças sobrenaturais e alheias à nossa vontade para justificarem nossas escolhas alimentares? Questiona o Dr David Gratzer, médico do Manhattan Institute. O pessimismo é tamanho, que alguns estudiosos do assunto aconselham os governos a desistirem dos adultos, pois eles não teriam mais salvação e focarem seus esforços nas crianças.
Vendo por esse lado, o obeso seria uma grande vítima. Governos, escolas, indústrias de alimentos e agronegócios, supermercados, redes de fast food e até a poluição do ar estariam conspirando contra ele. Como se fosse possível que lhe fosse retirado todo o poder de escolha. Essa cultura de “vitimização” do obeso retira dele a sua responsabilidade pelo quadro de obesidade e ensina-o a pensar que o seu mal seria causado por fatores externos à sua vontade e que alguém deveria dar a ele a solução.

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