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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A responsabilidade individual pelo combate à obesidade

Invariavelmente, o paciente obeso que nos procura precisa de ajuda para alcançar seus objetivos. O grande problema que enfrentamos em ajudá-lo é convencê-lo de que suas escolhas alimentares são as verdadeiras  causas do ganho de peso. Só assim ele poderia entender o seu o papel no seu tratamento e o quanto precisaremos dele. Parece simples, mas o paciente já vem em consulta como uma vítima. Como se ele não pudesse fazer nada contra isso e esperasse tudo dos profissionais que o assistem.
Cerca de 80% dos pacientes que nos procuram para emagrecer, vem em busca de uma causa orgânica que justifique o ganho de peso. Apesar do conflito que isso pode gerar, nós precisamos convencer. Convencer a cada um deles de que ansiedade não engorda, faz comer. Explicar que não estamos dizendo que eles mentem, nem estamos  julgando seus comportamentos. Queremos descobrir um caminho por onde começar ajudá-los. Não há como corrigir uma falha sem identificá-la de antemão.
Mesmo que as políticas públicas fossem suficientes e autônomas para impedir a veiculação de propagandas de alimentos engordativos. Mesmo que proibissem o excesso de açúcar e gorduras dos alimentos. Mesmo que fosse obrigatória uma hora de atividade física diária para as pessoas em geral, nada seria eficaz caso as vítimas da obesidade continuassem se omitindo do seu papel principal no combate à doença. Assim, enquanto procurarmos um culpado para a obesidade sem incluir o próprio obeso, continuaremos impossibilitados de combater esse mal.

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